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O camaleão Gilmar Mendes salva Michel Temer


Gilmar Mendes deixou de apoiar a ação de cassação da chapa Dilma-Temer depois que o PT saiu do poder

mendes

O mesmo Gilmar Mendes que foi determinante para o TSE decidir pela abertura do processo de cassação da chapa Dilma – Temer em 2015 é o que agora presidente do tribunal deu o voto de minerva pela não cassação.

Em fevereiro de 2015, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da ação, pediu o arquivamento da denúncia, por falta de provas. O PSDB recorreu. Gilmar Mendes em março de 2015 pediu vistas (mais tempo para analisar o processo).

Em agosto do mesmo ano, cinco meses depois, Mendes votou pelo prosseguimento da ação. A ação abriria mais uma frente para o governo Dilma Rousseff sofrer desgaste público, favorecendo o PSDB.

Em outubro de 2015, o TSE reabriu o processo de cassação contra Dilma e Temer.

Ao longo daquele ano Gilmar Mendes disse coisas duras contra a chapa PT-PMDB. Em seu voto, em favor da ação, afirmou que os fatos revelados eram “constrangedores” e de “corarem frade de pedra”. E foi mais longe, “é grande a responsabilidade desse Tribunal, pois não podemos permitir que o país se torne um sindicato de ladrões”.

Com Dilma Rousseff apeada da presidência da República pelas mãos do Congresso Nacional em um processo de impeachment votado em maio de 2016, Michel Temer e o PSDB assumiram o Planalto e fatalmente o discurso do togado-latifundiário mudou rapidinho.

Aí a super preocupação de Gilmar Mendes com os fatos “constrangedores” que envolviam Temer e seu partido virou pó, bradou: “há exageros. Às vezes cassamos mandatos por questões pequenas… é preciso moderar a sanha cassadora”. É de corar frade de pedra, não é mesmo?

Coerente com a lógica de “moderar a sanha cassadora”, Gilmar Mendes deu o voto de desempate nesta sexta-feira que salvou Michel Temer da cassação, prolongando a vida de seu governo. O ministro afirmou que antes deu força para a ação e não para a cassação do mandato. Tal justificativa me lembra uma cena (assisti no youtube, não sou tão velho assim…) do debate dos presidenciáveis transmitido pela TV Bandeirantes em 1989 em que Paulo Maluf pergunta a Mário Covas: “virou cínico, é?”

Com o PT fora do poder, a inquietação moralista de Mendes com os tais “sindicatos de ladrões” mostrou-se retórica e de ocasião. Por falar em ocasião, ela faz quem mesmo?

Além disso, outros fatos envolvendo o ministro constrangem os que esperam da justiça brasileira o mínimo de isenção. Nos últimos meses, Gilmar Mendes participou de vários jantares com o presidente Michel Temer, sem dar publicidade do acontecimento e de suas pautas. Entrementes, um primo de Mendes foi indicado por Temer para o comando de uma autarquia. Oportuno, não? O ministro respondeu com o cinismo que lhe é peculiar, “tenho uns 70 primos”, esquivando-se de responsabilidades pela indicação.

Diante desses fatos, dá para entender como a postura de Gilmar Mendes em relação ao processo de cassação da chapa Dilma-Temer mudou tanto de 2015 para 2017.

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