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Para limpar a barra do PSDB, jornal joga Aécio Neves no lixo


Moralismo da Folha de SP pode servir ao PSDB paulista, mas é péssimo para o país!

Painel da Folha de São Paulo informa que Aécio Neves teria engavetado um manifesto do PSDB de SP que pregava rigor do partido contra a corrupção.

O texto destacado pela jornalista traz pontos risíveis, note: “fazer a boa política é sentir e repercutir a indignação da sociedade diante da trama que uniu empresários inescrupulosos e políticos corruptos”, diz. “São práticas (…) com as quais o PSDB jamais compactuou.”

Já pararam de rir? Eu não. A hipocrisia do texto não tem limites ao vender cinicamente o partido como vítima de um sistema de malvadões que iludiram as vestais do PSDB. Na verdade, todos os partidos tradicionais são direta ou indiretamente coniventes com práticas ilícitas entre agentes públicos e privados, tanto para fazer caixa de campanha quanto para enriquecer indivíduos e empresas. E é assim da escala municipal à federal.

A matéria da Folha personifica em Aécio Neves um problema estrutural, eximindo o PSDB, sobretudo de SP, de responsabilidades, pela lama na qual o partido e o país patinam. Esse manifesto não passa de uma provocação da ala paulista pra cima de Aécio Neves, mais um capítulo da guerra, de caciques e não de projetos de país, que predomina no tucanato.

Seria legal o PSDB e a Folha fazerem um debate sobre como institucionalizar meios para se fazer política com o mínimo de lisura e republicanismo bem como para se investigar e punir com isenção, tendo em vista as violações diárias de um poder judiciário permeável à corrupção e sensível aos interesses das elites econômicas. Uma discussãozinha sobre a lentidão da justiça paulista em julgar denúncias contra o governo de SP também não cairia mal para quem está tão preocupado com o rigor no combate da corrupção. Mas pra isso rolar direitinho setores da grande mídia precisam desfazer pactos com corporações financeiras e partidos, o que não é fácil.

Em suma, debater corrupção pelo crivo estrutural leva as pessoas a compreenderem como o estado brasileiro funciona historicamente, esclarecendo que a corrupção não é causada por um partido ou apenas por políticos. O viés moralista serve a quem transfere responsabilidades com o intuito de limpar a própria barra e a dos seus, eis a via do texto da Folha e do manifesto do PSDB paulista.

Texto da Folha aqui

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