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Centro-esquerda domina pesquisas para presidente da República


Os presidenciáveis mais competitivos, segundo pesquisas, são de centro-esquerda

A pesquisa de domingo (25) do Datafolha indica que Lula lidera todos os cenários, e com folga.

O petista circula entre 29% e 30% das intenções de votos, com Marina na faixa dos 14% e 15%, e Bolsonaro entre 13% e 15%.

Nas simulações de segundo turno, Lula massacraria os tucanos: 45% a 32%, contra Alckmin, e 45% a 34%, contra Dória. O petista estraçalharia Jair Bolsonaro por 45% a 32% e empataria tecnicamente com Marina Silva nos 40% e com Sérgio Moro em 42% ante 44% do juiz (que não será candidato).

Em primeiro turno, na projeção com Moro, o magistrado chega a 14%, contra 13% de Marina e 12% de Bolsonaro, Lula lidera com 29%, Alckmin chega a 6%.

Os cenários descritos favorecem drasticamente o campo da centro-esquerda. Vejamos.

Caso Lula seja inviabilizado juridicamente, como deseja e para o quê trabalha parte da direita brasileira, a tendência é de seus votos migrarem para Marina Silva e Ciro Gomes, candidatos do mesmo espectro ideológico do petista.

Por mais que parte da esquerda torça o nariz para Marina Silva, o eleitorado da redista é composto por ex-petistas decepcionados com o partido e esquerdistas em busca de um novo norte de centro-esquerda. No terreno dos valores, Marina está à esquerda, ideologicamente, ainda que tenha alianças táticas com setores do capital, coisa que o lulopetismo também fez.

Apesar de apontar falhas do lulismo, Ciro Gomes é o que mais se aproxima de Lula e do petismo, tanto por fazer a defesa das conquistas sociais da era Lula quanto por defender o discurso nacional-desenvolvimentista na área econômica. É grande a chance de o pedetista ser apoiado pelo PT e por Lula, em caso de o petista ser barrado pela “lei de ficha limpa”.

Imagine um segundo turno entre Marina Silva e Ciro Gomes ou entre um petista e Marina Silva. Seria o maior fracasso eleitoral dos liberais-financistas, desde a redemocratização.

A direita liberal perdeu para Lula 04 eleições seguidas, mas, graças à pressão de setores financeiros, nacionais e internacionais, conseguiu manter a política monetária ortodoxa durante os mandatos petistas, e esteve no segundo turno das eleições com o PSDB desde 2002.

Desta feita, o risco de a direita liberal ficar fora de um segundo turno é grande, sobretudo pela presença de Jair Bolsonaro, que racha o eleitorado de direita, carregando, para si, os votos conservadores.

Vai daí o desejo de os liberais emplacarem João Dória, um político descolado da política tradicional, como candidato à presidência da República, para deixar Bolsonaro comendo poeira no primeiro turno e contar com seu eleitorado no segundo contra Lula ou outro candidato à esquerda.

A possibilidade de um segundo turno puramente de centro-esquerda se apresenta cada vez mais forte e a própria direita construiu esse quadro.

As expressões políticas e econômicas da direita semearam um golpe parlamentar para levar ao poder uma base política corrompida e um conjunto de reformas impopulares, colheram disso tudo um governo impopular e cercado por crises políticas.

No campo jurídico e do debate, a direita moralista bateu palmas para o linchamento jurídico e para o jornalismo de guerra contra petistas e esquerdistas, esquecendo-se de que a corrupção, por ser histórica e estrutural, não atingiria apenas um partido. Agora, com tucanos expostos em delações, os patos amarelos estão em profundo silêncio.

Os moralistas comemoram cada operação espetaculosa da Polícia Federal, que arrebenta um setor vital da economia nacional, sem levar em conta o país e os custos políticos para Temer, e riem, como hienas, quando um magistrado condena um político, em entrevistas, com base em convicções, atropelando os rituais do estado de direito.

Aécio Neves acaba de ser destruído por essa sanha justiceira de parte da mídia e do poder judiciário. O mineiro sequer foi citado na pesquisa. Já tratado como carta fora do baralho. Michel Temer lidera um governo que respira por aparelhos, com miseráveis 07% de aprovação. Eis o fim dos arquitetos do impeachment de Dilma.

Os linchamentos jurídicos, a histeria moralista, a criminalização da política, o austericídio, enfim, as obras da direita de pavimentação da rodovia que poderá levar a esquerda de volta à presidência da República estão a todo vapor. Lula, Marina e Ciro, agradecem.

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