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GUERRA TOTAL


Gabriel Priolli entende que a mídia está em guerra contra as culturas populares e as agendas políticas de natureza social e nacional-desenvolvimentista

Por Gabriel Priolli, jornalista e consultor político

Curiosa essa polêmica sobre a “editoria de guerra” criada pelo jornal Extra, do Rio de Janeiro. O que, exatamente, não é bélico, em toda a grande imprensa atual?

A editoria política está em guerra permanente contra Lula, Dilma, o PT, o petismo, o socialismo e a esquerda em geral. São tratados como a quintessência da corrupção, da traição de princípios e do atraso, além de propagadores do ódio. Em alguns casos, como ingênuos sonhadores, românticos passadistas.

A editoria econômica bombardeia tudo que conteste o projeto neoliberal de estado mínimo e mercado máximo, o império da finança, a regressividade dos impostos e a desregulamentação de atividades. Mira, particularmente, no nacional-desenvolvimentismo e sua odienta obsessão com políticas sociais distributivas.

A editoria de cidades está em guerra com pichadores, craqueiros, sem-teto, ciclistas, skatistas, funkeiros, a garotada dos rolezinhos, os pobres em shoppings e manifestantes em geral, essa gente que sempre atrapalha a boa ordem urbana e o tráfego das ambulâncias.

A editoria de cultura está em conflito aberto com toda produção artística e intelectual que não se guie pelo mercado. Ataca o financiamento estatal a projetos culturais, suspeita de quem o recebe, combate a ideia de que a cultura seja operada em favor da diversidade e da redução de desigualdades no país.

A editoria de esporte, quando não está pondo o país inteiro contra o Corinthians, combate a FIFA, a COMENBOL, todas as federações de todas as modalidades, os clubes, as comissões técnicas, os treinadores, os árbitros e os atletas, salvo aqueles que disputam campeonatos europeus e a Bola de Ouro.

Até a seção de cartas, ora transformada em redes sociais e com a ressonância elevada à milésima potência, é pura confrontação e beligerância.

Se a coisa está mais grave para a editoria de polícia, em especial no Rio de Janeiro destruído pelos governos estadual e federal do PMDB, nem por isso ela pode arrogar qualquer titularidade da nomenclatura militar, como fez o Extra.

Editorias de guerra são todas, numa imprensa que vive de fornecer inimigos para o deleite de seu público.

Gabriel Priolli dirigiu as principais redações de jornalismo impresso e das principais emissoras de TV do Brasil.

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