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A sobrevivência do mito e 2018


Sem Lula, Luciano Huck ganha força

A condenação do ex-presidente Lula, no TRF-4, levanta especulações sobre o peso que o petista terá nas eleições de 2018, a sombra que fará no próximo governo (se não for o presidente) e qual versão histórica sobre o petista predominará.

Entretanto, a disputa pelo poder real não espera o bonde da história e impõe necessidades imediatas, como a conquista da presidência da República. Alguns impactos do resultado do TRF-4 na direita são perceptíveis.

A possibilidade de Lula não ser candidato encorajou simpatizantes de Luciano Huck a se movimentarem por sua candidatura à presidência da República.

Em entrevista à Jovem Pan, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse “é bom ter gente como o Luciano porque precisa arejar…”

A declaração do grão-tucano é hostil à candidatura do tucano Geraldo Alckmin e mostra que o ex-presidente atua nas alcovas por Luciano.

O apresentador é visto como alguém capaz de herdar o voto popular de Lula, devido à popularidade de seus programas nas camadas mais pobres.

Geraldo Alckmin seria, em um primeiro momento, o principal prejudicado pelo global. Huck pulverizaria os partidos de centro, atrapalhando os planos do governador de SP de construir no primeiro turno uma chapa que lhe dê palanques regionais e tempo de TV para garantir-se no segundo turno.

A Rede Globo apóia. O PPS, partido de Roberto Freire, está de portas abertas. FHC é o tutor. Luciano Huck só não será candidato se não quiser.

Os impactos negativos, das devassas que sofrerá de adversários durante a campanha, desanimam o apresentador. Se ele tem esqueletos no armário, como a maioria dos pobres mortais que se envolve em negócios, melhor ficar em casa, porque o bombardeio amigo e inimigo será brutal.

Quem está em pré-campanha é Michel Temer. O peemedebista é garoto propaganda da reforma da previdência, em programas de televisão e entrevistas. O presidente granjeia por conta própria na TV e redes sociais a queda dos juros. Não sai dos holofotes.

Se aprovar a reforma da previdência, superando dificuldades impostas pelo ano eleitoral, o governo dará demonstração de força política, podendo reconquistar bases – que se perderam pós-impeachment da ex-presidenta Dilma – e abrindo espaço natural a uma candidatura governista.

Michel Temer se movimenta nitidamente para ser o candidato. Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, corre por fora.

Do lado petista, preservar a pré-candidatura de Lula é uma forma de mantê-lo em condições de influenciar o processo político e eleitoral, mesmo que da cadeia.

As falhas apontadas pelos juristas nas sentenças proferidas tanto em primeira quanto em segunda instância e o tratamento peculiar turbinam as narrativas petistas de que o ex-presidente é perseguido político.

Além do pleito de 2018, o PT trava uma batalha histórica para que o mito não seja desconstruído. Qual versão política sobre Lula prevalecerá?

Em caso de vitória da direita, em uma eleição sem Lula, o fantasma do petista provavelmente irá atormentar o próximo presidente, sobretudo se o padrão de vida dos brasileiros não melhorar.

A sobrevivência do lulismo é de certo modo a sobrevivência do PT e de um projeto político popular e desenvolvimentista.

O período de glórias econômicas e sociais, da era Lula, sobretudo para os mais pobres, e a incapacidade que uma agenda “neoliberal” tem de promover, na América Latina, estabilidade econômica, com distribuição de renda, são elementos políticos que depõe a favor da sobrevida do mito.

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