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FHC declara apoio a Geraldo Alckmin


Depois de meses em posição ambígua, ex-presidente, em artigo, declara apoio a Alckmin

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu em artigo publicado neste domingo (04) na imprensa que foi vítima de intolerância por parte daqueles que o acusaram de incentivar nos bastidores a candidatura de Luciano Huck à presidência da República, traindo o PSDB e Geraldo Alckmin.

Escreveu o ex-presidente: “a irritação causada em certos setores pelo simples fato de eu haver dito publicamente que sua [Luciano Huck] entrada na campanha eleitoral era saudável e poderia atrair apoios, sobretudo dos mais jovens que buscam alternativas, mostra o grau de intolerância entre nós. Não disse que o apoiaria, disse que sua disposição em participar era positiva.”

No texto, FHC deixou claro seu apoio ao governador de São Paulo “não adianta repetir que minha escolha está feita, Geraldo Alckmin, e que, no momento oportuno, as pesquisas registrarão sua ascensão. As maledicências, contudo, não diminuirão meu ímpeto de ajudá-lo a enfrentar a campanha e de se apresentar com um discurso propositivo. O Brasil precisa, neste momento, de alguém que una as forças democráticas e que, respeitando o funcionamento dos mercados e da economia, não só cuide de manter em ordem o orçamento, mas olhe para as carências do povo e seja honesto. Diga-se o que se quiser, o PSDB no comando de São Paulo há vinte anos, não se desviou desses preceitos e Alckmin governou o estado durante quase três períodos administrativos”.

Em janeiro deste ano FHC afirmou que se Alckmin não demonstrasse viabilidade eleitoral, o PSDB deveria apostar em um nome “com mais capacidade de juntar”aqui.  A mudança de postura do ex-presidente acontece semanas depois de Luciano Huck desistir de concorrer à presidência e de Arthur Virgílio, prefeito de Manaus, abrir mão de disputar as prévias com o paulista nas internas do PSDB.

FHC está correto quando diz que o Brasil está cada vez mais intolerante e que adversários devem dialogar, “Noutros termos, na luta política há adversários, não gladiadores prontos a matar inimigos”, escreveu. Entretanto, ele utiliza esse cenário de intolerância para invalidar desconfianças legítimas de que ele incentivava a candidatura de Luciano Huck e desconfiava do potencial de crescimento de Geraldo Alckmin.

O ex-presidente nunca fez isso de modo desabrido, mas ambíguo, como do feitio de um homem arguto, conciliador e experiente, como ele, na arte da política. Utilizar o cenário de intolerância para justificar o seu “mão a palmatória” sobre Geraldo Alckmin é mais um artifício de uma raposa velha, no bom sentido.

Mais uma vitória do governador Geraldo Alckmin. O próximo passo do tucano é contar com apoio já no primeiro turno do MDB e não ter um concorrente na centro-direita com condições de lhe tirar tempo de TV e palanques regionais. Um candidato governista teria esse potencial por conta da influência da máquina administrativa.

Uma vez fechado com Alckmin, FHC terá esse papel de ajudá-lo a evitar uma candidatura governista.

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