Home / Análise/Opinião / Números do Datafolha são péssimos para João Dória

Números do Datafolha são péssimos para João Dória


Rejeição na capital e dificuldade para arregimentar aliados colocam carreira política de João Dória por um fio. Se perder SP em 2018, restará a Dória concorrer a eleições de síndico de condomínio.

Os números do Datafolha sobre a disputa para o governo de São Paulo são preocupantes para João Dória.

66% da população da capital reprovam a decisão do “gestor” de abandonar a prefeitura. Apenas 28% apoiam.

A gestão é aprovada por apenas 18%. 47% consideram o governo péssimo e ruim. 34% regular. O desempenho de Fernando Haddad depois de um ano e meio de governo era um pouco melhor, 17%, 36% e 44%, respectivamente.

49% dos paulistanos não votariam nele de jeito nenhum.

Na corrida para o governo de SP o ex-prefeito está à frente de Paulo Skaf (MDB) com nove pontos de vantagem, 29% a 20%. Na capital, Skaf vira 30% a 24%. No interior, o tucano volta à frente com 38% e o emedebista alcança 27%.

O governador Márcio França (PSB) é conhecido por apenas 9% do eleitorado e chega a 8% nas intenções de votos. De acordo com informações de bastidores França está a arregimentar inúmeros partidos para a sua chapa.

Nessa hora a máquina é um fator de desequilíbrio. França era vice-governador e assumiu o governo depois que Alckmin saiu do cargo para disputar a presidência da República.

Também há um desgaste do PSDB pelos mais de vinte anos no poder e isso atrai partidos de esquerda como o PC do B para os braços do PSB. Alckmin deixou o Palácio dos Bandeirantes com apenas 39% de ótimo e bom.

Depois de muito tempo, existe a perspectiva de mudança em São Paulo.

Luiz Marinho do PT chega a 07%, mas o eleitorado petista é muito maior que isso e Marinho deve crescer.

O PSDB venceu as três últimas eleições em SP em primeiro turno, a possibilidade de essa façanha se repetir é mínima.

O PSDB não está 100% com Dória, ele não tem mandato e as pesquisas indicam perspectivas de queda.

Tudo isso atrapalha a construir alianças. Menos aliados significa menos tempo de TV e menos palanques nas cidades. Menos palanques nas cidades significa menos prefeitos, vereadores e lideranças na luta por votos.

O exército de Márcio França será maior. A persistir candidato, Paulo Skaf embola ainda mais o processo. Haverá segundo turno, é o mais provável.

Se o PT ficar pelo caminho, o eleitorado petista será decisivo no segundo tempo. Justamente o eleitorado que João Dória criminaliza com palavras duríssimas.

A situação do ex-prefeito é desesperadora. E ele segue com sua estratégia beligerante e autodestrutiva, atacando adversários com chavões ideológicos.

João Dória pensa que a realidade concreta se resume ao mundinho do MBL e às redes sociais. Chamar Márcio França de Márcio Cuba não agrega picas.

Cabe reiterar que o João Trabalhador (risadas! Só um minuto, deixa eu rir mais um pouco…) está sem mandato, isto posto, se derrotado, ele nunca mais se elegerá a cargos executivos de primeiro escalão.

O ex-prefeito disputa o Palácio dos Bandeirantes mirando a presidência da República. Não eleito, restará para o gestor concorrer a síndico de condomínio de alto padrão. Só.

E a carreira do “exemplo de comunicação política” (segundo bradavam supostos especialistas, quando Dória se beneficiava da luta de mel de sua eleição em SP) terá durado míseros 04 anos. Será um mico histórico.

As esperanças do tucano residem em seus adversários. Se o MDB limar Paulo Skaf. Se os seus concorrentes se agredirem. Enfim, Dória não depende apenas de si, como nas eleições de 2016, as pesquisas e o andar da carruagem conjuntural indicam que a eleição não é para ele.

Desde que resolveu tratar a prefeitura de São Paulo como escada, para chegar à presidência, o empresário iniciou o processo de auto-fritura. Acontece o mesmo cada vez que ele abre a boca para atacar adversários.

O que se passa com João Dória é bom para mostrar aos incautos – e mesmo assim eles não vão enxergar – que marquetagem despolitizada não consolida lideranças, partidos e governos.

Não será vestido de gari, em filmetes despolitizados e de quinta categoria, que o tucano logrará êxito, ele terá de fazer política com P maiúsculo e ainda contar com a sorte para se livrar do abacaxi que plantou no próprio quintal.

Veja Também

Entrevista com as candidatas à vice-presidência da República

Matéria do Independente, por Rafael Bruza  Manuela D’Ávila, vice de Fernando Haddad (PT), Ana Amélia, ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *