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Sem saída, Geraldo Alckmin busca apoio do Michel Temer e do MDB


Geraldo Alckmin busca aproximação com Michel Temer, para fortalecer suas estruturas com apoio do MDB, mas terá de conviver com a sombra do governo mais impopular da história.

E a busca por coesão no eixo centrista da política segue a topo vapor.

Os encontros e desencontros não acontecem apenas na centro-esquerda, a centro-direita também bate cabeça para encontrar um caminho comum.

O governo Michel Temer bem que tentou construir uma candidatura capaz de defender o governo e, com o peso da máquina, alcançar o segundo turno, mas o empreendimento não sai do lugar.

As medidas econômicas, as reformas e a intervenção federal no Rio de Janeiro não produziram os efeitos desejados. Cresceram o desemprego, a violência e a impopularidade do governo.

Michel Temer flertou com a possibilidade de ser candidato à presidência, porém, segundo o último Datafolha ele tem 06% de aprovação e 02% nas pesquisas para presidente. Henrique Meirelles, provável candidato governista, não sai dos 01%.

Geraldo Alckmin é o nome mais bem posicionado da centro-direita liberal. Surge com 08% e precisa do MDB para ganhar tempo de televisão e principalmente palanques estaduais.

Com seis governadores, e na base de outros tantos, o MDB é o partido com mais capilaridade regional. Palanques locais significam mais prefeitos, deputados estaduais e federais, além de vereadores e suas lideranças, em campanha por um candidato. O exército nas ruas se torna maior.

Em tempo de TV Alckmin ganharia mais 1 minuto e 26 segundos, além dos 1 minuto e 18 segundos do PSDB. Há quem diga que o DEM não gostou da aproximação, mas o capital político de Rodrigo Maia e do DEM não é suficiente para o partido se cacifar e correr sozinho caso MDB e PSDB fecharem.

Mas tal operação não será fácil. Nesta quarta, para o Estadão, Henrique Meirelles disse “se é possível fazer imediatamente uma aliança com o PSDB? Certamente, não há dúvida, desde que o PSDB aceite uma candidatura à Vice-Presidência”. É do jogo os concorrentes baterem o pé que serão candidatos,  veremos na hora H. Temer não conversa com Alckmin sobre a novela das oito nem Haddad se encontra com Ciro Gomes pra baterem figurinhas.

Quanto maior o arco de alianças, mais chances Alckmin terá de atrair adesão da mídia e do mercado – que,  atualmente, olham com desconfiança para o potencial do peessedebista.

Em contrapartida, o ex-governador de SP irá se atrelar a um presidente impopular e acusado de vários crimes. Um presidente que pode sair do Planalto direto pra cadeia, depois de perder o foro, ou ser acolhido em cargos estaduais para não ser preso. Haverá um custo político, entretanto, nas atuais condições, o tucano não chegará ao segundo turno. Não há saída, Geraldo Alckmin terá de correr esse risco.

Este colunista defendeu em setembro de 2017 que, sem Lula, a conjuntura iria impor à centro-esquerda e à centro-direita a necessidade de construir alianças coesas para a disputa presidencial em 2018. O leitor leu a respeito aqui primeiro e agora a tese caiu na boca dos políticos e colunistas que flutuam dos dois lados. Não porque leram o meu texto, mas porque a realidade descrita naquele artigo – “os favoritos para 2018” – está se impondo.

Sem coesão, é grande o risco de um dos lados do centro ficar fora do segundo turno. Seria humilhante. Se acontecer, não será por falta de aviso, mas por teimosia de seus líderes.

Publicado quarta (09) no Independente aqui

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