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Cauê Macris não pauta PL 31. Ativistas e um grupo de deputados dizem que é golpe!


Deputado estadual João Paulo Rillo (PSOL-SP) concedeu entrevista exclusiva ao Rede Popular sobre o PL 31

“A exportação de gado vivo não se justifica pelo aspecto econômico, porque gera emprego fora do país e  lucros apenas para uma pequena parcela de pecuaristas, e é uma forma de capitalismo selvagem que não leva em conta o bem estar dos animais”, afirma João Paulo Rillo (deputado estadual – PSOL/SP). 

Nesta terça-feira (31/07), grupos ativistas da causa animal concentraram-se na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP) com a expectativa de que o PL 31/2018 seria votado e aprovado.

Entretanto, depois de o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB) consultar um colégio de líderes, com poder consultivo e não deliberativo, prevaleceu a proposta do deputado estadual Itamar Borges (MDB), de adiar a votação do PL 31 para depois das eleições.

O PL 31/2018 determina a proibição do embarque no Estado de São Paulo de animais vivos no transporte marítimo e fluvial, com a finalidade de abate para o consumo.

O projeto de lei é do deputado estadual Feliciano Filho (PRP – segundo consta no site da Assembléia Legislativa de São Paulo aqui) e foi publicado em 09/02/2018.

O deputado Feliciano Filho em discurso informou a decisão do presidente da Casa e os manifestantes que ocupavam as tribunas da ALESP ficaram indignados, e começaram a gritar palavras de ordem contra o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB): “Oh Cauê, oportunista, se vendeu pra bancada ruralista”.

Acompanhe:

Cauê Macris se dirigiu para fora do plenário, em meio a protestos, como se pode notar no vídeo abaixo:

Um grupo de deputados composto por Feliciano Filho (PRP), João Paulo Rillo (PSOL), Carlos Giannazi (PSOL), Enio Tatto (PT), Beth Sahão (PT) reuniu-se com os ativistas para delinear uma estratégia conjunta de modo a reverter a decisão do colégio de líderes e do presidente da assembléia.

O parlamentar Carlos Gianazzi conclamou os manifestantes união com os deputados  “nós seremos a mosca da sopa, faremos pressão no plenário, obstruindo os projetos do governo, e vocês aqui em cima manifestando”, conclui.

O deputado Enio Tatto (PT) disse aos ativistas que o deputado Itamar Borges foi o articulador da manobra  para jogar para depois das eleições as votações de projetos nos quais não há acordo, entre os quais, a PL 31/2018.

De acordo com a deputada Beth Sahão, 11 partidos participaram integralmente do que ela considera um golpe  contra a PL 31: DEM, PPS, PP, PTB, MDB, PSD, PRÓS, PRB, Avante, PSDB e PR, totalizando 55 deputados estaduais. Os partidos que resistiram ao colégio de líderes e a favor do PL 31: PRP, representado por Feliciano Filho; PT, PSOL e PV, de Roberto Trípoli – deste modo, descreveu a deputada estadual do PT.

Assista aos diálogos dos deputados com os manifestantes:

Aos ativistas, o parlamentar João Paulo Rillo (PSOL) destacou que o colégio de líderes é um órgão consultivo apenas e que a prerrogativa de pautar projetos é do presidente da Casa. Para Rillo, Cauê Macris agiu de má fé ao pautar o projeto de financiamento de 300 milhões para a Sabesp despoluir o Rio Tietê e deixar o PL31 de fora “quando envolve milhões, ele pauta, mas para não se expor e para proteger muitos aqui que estão com medo de tomar posição, ele deixa de pautar o PL31”, disparou. “Vamos obstruir todas as votações até que volte o PL 31”, completou.

Assista:

Os ativistas protestaram nas saídas dos estacionamentos, bloqueando a saída dos deputados estaduais. Os manifestantes ergueram faixas com os dizeres “Agora é com você, pauta, Cauê”, e entoaram palavras de ordem como:  “nós somos a resistência”; “o que nós queremos? libertação animal, quando nós queremos? agora!” “se não pautar, nós vamos ficar”, “fora, Cauê”, “não vamos desistir” etc.

Veja:

A crueldade da exportação de animais

O movimento pela proibição das operações de embarque de animais vivos nos portos do estado de São Paulo vem crescendo desde a partida do navio NADA, com mais de 25 mil bois embarcados, com destino à Turquia, em fevereiro deste ano.

A queda de bois no mar, que ocorreu em São Sebastião, tornou a questão ainda mais urgente. Um dos animais foi fotografado após nadar por cerca de 5 horas em água extremamente fria. O boi sobreviveu e foi levado novamente para a embarcação. O caso gerou comoção nacional e internacional.

Uma vez embarcados, os animais, que têm cerca de dois anos de idade, suportam condições extremamente insalubres dentro dos navios. Em meio a grande quantidade de fezes, urina e vômitos, eles são submetidos a longas viagens, que podem durar semanas, em um ambiente superlotado que, devido à falta de espaço, os impede de deitar para descansar. Por causa do forte cheiro de amônia, eles sofrem também com dificuldade para respirar.

Cerca de dois veterinários ficam responsáveis por atender 5 mil bois ou mais. O número baixo de profissionais demonstra mais uma negligência praticada contra os animais que, quando se machucam ou adoecem, são eliminados e, após os corpos serem levados à graxaria, são jogados ao mar. Os que sobrevivem, são covardemente mortos no país de destino. Quando são levados para países no Oriente Médio, o sofrimento é ainda maior, já que são mortos segundo normas religiosas que determinam que um corte seja feito no pescoço dos animais ainda conscientes.

A exportação, entretanto, não é apenas cruel para os animais, como também prejudica o meio ambiente. Os corpos de animais mortos, triturados na graxaria, e toneladas de excrementos são eliminados em alto mar, o que gera imensa poluição, destaca o site Anda, de proteção dos animais aqui

Ministério Público contra a exportação de animais

O juiz federal Djalma Moreira e o procurador regional da República Sérgio Monteiro já deram pareceres contrários à exportação de animais vivos.

O magistrado, em atendimento a uma ação judicial movida pela ONG Fórum Nacional De Proteção e Defesa De Animal, suspendeu os embarques de animais vivos em todos os portos do país em fevereiro. A decisão, entretanto, foi suspensa pelo Tribunal Regional Federal.

Bois transportados em condições insalubres no navio NADA (Foto: Magda Regina)

Em maio, o Ministério Público Federal (MPF), por meio do Procurador Regional da República Sérgio Monteiro Medeiros, posicionou-se contra a exportação de animais vivos em todo o território nacional. “Ora, mas como pode, o mesmo Brasil que veda, inelutavelmente, como se vê no precitado cânone constitucional, práticas que submetam animais à crueldade, permitir que milhares de bovinos sejam impensados em um navio para, após duas semanas de viagem marítima, em péssimas condições de alimentação, acondicionamento, higiene e sanitárias, serem enfim abatidos de modo que se choca, absolutamente, frontalmente, com aquele que é autorizado pelo ordenamento constitucional brasileiro?”, questionou o procurador.

Contrários à PL 31

Os deputados contrários à PL 31/2018 são: Itamar Borges (MDB), Davi Zaia (PPS), Roberto Morais (PPS), Marcos Vinholi (PSDB), Barros Munhoz (PSDB), Carlão Pignatari (PSDB), Gilmar Gimenes (PSDB), Welson Gasparini (PSDB) e Adilson Rossi (PSB).

Um estudo da consultoria ATHENAGRO aponta que a proibição de animais vivos para exportação causaria prejuízos de 6,2 bilhões à cadeia produtiva de exportação de gado “De acordo com o critério analisado, e com as premissas
consideradas, as duas etapas causam impactos negativos na cadeia produtiva, suficientes para minar a economia paulista em R$ 6,2 bilhões. Essa queda de R$6,2 bilhões ao longo da cadeia produtiva reduzirá cerca de R$1 bilhão em impostos, que seriam arrecadados dentro do  estado, no mínimo”.

O estudo do engenheiro agronômico Maurício Palma Nogueira conclui ” a decisão de proibir as exportações de gado em pé pelos portos paulistas irá piorar justamente a vida dos pequenos produtores e da parcela mais pobre da sociedade. Lá na frente, quando o orçamento do estado for menor e os preços da carne estivem bem acima do que poderiam estar, são os mais pobres que sofrerão as piores consequências em seus orçamentos familiares.  Para acessar o estudo clique aqui

Em entrevista ao Rede Popular, o deputado João Paulo Rillo (PSOL-SP) disse que esse estudo “é uma mentira que não para em pé”, porque o abatimento e o consumo da carne no Brasil geraria empregos e dividendos dentro do país, ao contrário de exportar a carga viva que favorece economicamente poucos e expõe os animais a um tratamento cruel, conclui.

Para os defensores da PL 31, o estado perde capital porque a exportação do gado vivo não gera impostos estaduais e os empregos são gerados fora do país, afetando os frigoríferos (que estão com 50% da capacidade ociosa) e a indústria de subprodutos do boi tais como fábricas de tintas, curtumes, fábricas de sabão e sabonete, produtos de limpeza, indústrias de embutidos, ração animal, farmacêutica, biodiesel, ossos, farinha de carne e artesanatos.

O ideal para os que defendem a aprovação da PL 31 seria o comprador internacional engordar o boi em sua propriedade e garantir emprego no abate, em frigoríferos locais.

Rillo afirma que os grupos políticos e econômicos que resistem à aprovação da PL 31 são deputados que representam interesses de pecuaristas que se beneficiam com as exportações de gados vivos. O deputado citou Itamar Borges (deputado estadual pelo MDB-SP) como principal articulador das manobras de obstrução da aprovação do projeto. Para Rillo, a mobilização dos ativistas de defesa dos animais tem importância objetiva para manter o projeto em tramitação na Assembléia Legislativa de São Paulo, tendo em vista a força política da bancada do boi e a pressão econômica dos pecuaristas pela derrubada da PL31/2018.

Assista a entrevista na íntegra:

 

 

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