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Marcio Pochmann diz que o mercado pode se aproximar de Jair Bolsonaro


O coordenador econômico do PT concedeu entrevista exclusiva ao Rede Popular

O ex-presidente do Ipea e atual coordenador do Plano Econômico do PT para Presidência da República, Márcio Pochmann, declarou na segunda-feira (10) que o mercado financeiro pode se aproximar do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, nas eleições de outubro.

“É uma aproximação possível. O receituário que Bolsonaro defende é neoliberal e está sendo testado nestes últimos dois anos, sem sucesso”, diz Pochmann. “O importante da candidatura do Partido dos Trabalhadores é ter uma aproximação da maioria da população porque ela, na verdade, que decide os rumos do país”.

A entrevista foi feita durante evento promovido pela campanha de Luiz Marinho (PT), ao Governo do Estado de São Paulo, no teatro da PUC, que reuniu militantes, intelectuais e lideranças do partido, como a candidata à vice-presidente, Manuela D’Ávila (PCdoB), o candidato a senador, Eduardo Suplicy, e o ex-ministro da defesa, José Eduardo Cardoso, um dia antes do anúncio da candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República, no lugar do ex-presidente Lula.

Bolsonaro e o mercado

Artigo de Brian Winter no jornal Folha de S. Paulo afirma que investidores de Wall Street (EUA) vêm optando por apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, por conta da “estagnação” de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas eleitorais e do perfil de Paulo Guedes, apontado por Bolsonaro como Ministro da Fazenda, caso vença a eleição.

“A indicação por Bolsonaro de Paulo Guedes como ministro da Fazenda e depositário da ortodoxia econômica parece melhor a cada dia, aos olhos do mercado”, diz o artigo de Brian Winter na Folha. “Sob a tutela de Guedes, Bolsonaro prometeu reforma nas aposentadorias e no mês passado chegou a mencionar a possibilidade do Cálice Sagrado de Wall Street —a privatização da Petrobras. Um investidor me disse, empolgado, que o Brasil pode ter seu primeiro presidente verdadeiramente liberal em pelo menos meio século”.

O colunista também afirma que o risco com o “autoritarismo” de Bolsonaro não é mal visto em Wall Street.

“Se você conversar com investidores sobre os riscos do autoritarismo, muitos tenderão a responder ‘ouvimos o mesmo sobre Trump, e as coisas estão ótimas’ ou ‘qualquer um menos Lula’”, relata Brian.

Este mês, Jair Bolsonaro se encontrou com o vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho.

A reunião foi organizada por Paulo Guedes, que também é membro-fundador do Instituto Millenium, entidade que tem João Roberto Marinho como um de seus “mantenedores”.

O assunto da reunião não foi divulgado.

Propostas do PT na economia

No evento do PT, na PUC-SP, Marcio Pochmann também disse que as perspectivas econômicas de Haddad são “melhores” do que as do primeiro ano do Governo Lula.

“Quando Lula assumiu, em 2003, o Brasil tinha um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país estava quebrado, a inflação estava fora do controle, então nós tivemos que arrumar a casa”, diz Pochmann, que presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2012.

Ele também comentou propostas da parte econômica do PT.

“A partir de 2019, o país tem condições de voltar a crescer muito rapidamente. Basta que retomemos as obras paradas, enquanto reduzimos os impostos da população de baixa renda para liberar consumo no mercado interno, já que a economia hoje está com uma capacidade ociosa bastante elevada. Então, elevando o nível a renda, aumenta o consumo puxando a produção e criando um caminho novo para a expansão do país”, conclui.

Questionado sobre eventuais instabilidades políticas que podem surgir com a detenção do ex-presidente Lula em um eventual governo do PT, Pochmann disse que “nós certamente temos um problema de natureza política, não econômica”.

Logo ressaltou que, no campo da economia, o PT “reúne as melhores condições de enfrentar a crise do país”.

“Com o elevado desemprego e a enorme desigualdade, eu diria que pela experiência passada, e pela credibilidade do programa do Partido dos Trabalhadores, é plenamente possível fazer o país voltar a crescer. A questão política que nós vamos decidir agora nas eleições, se aqueles que forem derrotados aceitarem o resultado”, diz Pochmann. “Porque em 2014 a presidenta Dilma venceu as eleições, mas não houve aceitação de vários partidos, entre eles o PSDB, que continuou fazendo campanha, levou a um terceiro turno e ao golpe que tirou a ex-presidenta Dilma de um governo democraticamente eleito”.

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